Durante anos, “marketing médico” soou quase como contradição. A resolução antiga do CFM era lida como uma lista de proibições, e muito médico preferiu não ter site a correr risco com o conselho. Isso mudou — e não é opinião, é resolução publicada.
Resposta rápida: Sim, médico pode fazer marketing digital. A Resolução CFM nº 2.336/2023 substituiu regras antigas, quase só proibitivas, por publicidade com responsabilidade: libera site, redes sociais, divulgação de preço de consulta e campanhas promocionais, mas mantém proibições como garantia de resultado e venda casada.
O Que Mudou na Publicidade Médica
A resolução anterior (1.974/2011, com os ajustes de anos seguintes) tratava a publicidade médica como exceção a ser tolerada, não como canal legítimo. A Resolução CFM nº 2.336/2023 inverteu essa lógica: parte do princípio de que formar, manter e ampliar a clientela é uma finalidade admitida, desde que a publicidade respeite as regras éticas.
Dado: a Resolução CFM nº 2.336/2023 foi publicada em setembro de 2023 e entrou em vigor em 11 de março de 2024, 180 dias depois — fonte: CFM.
Na prática, o texto passou a reconhecer explicitamente as redes próprias do médico — site, blog, Instagram, Facebook, YouTube, WhatsApp, TikTok, LinkedIn e afins — como canal de publicidade, com uma exigência simples: CRM e RQE (quando houver) precisam constar na página principal do perfil.
O Que a Resolução Libera
Três pontos que pegam a maioria dos médicos de surpresa, porque a regra antiga dizia o oposto:
- Preço de consulta. O artigo 9º, incisos VI e VII, autoriza a divulgação dos valores das consultas, dos meios e condições de pagamento, e permite que o valor de procedimentos particulares seja acordado entre as partes.
- Campanhas promocionais e descontos. O inciso VIII do mesmo artigo permite o anúncio de descontos em campanhas, com uma ressalva: venda casada e premiação (sortear uma cirurgia, por exemplo) continuam proibidas.
- Selfies, depoimentos e antes-e-depois. Autorretratos são permitidos “desde que não tenham características de sensacionalismo ou concorrência desleal”; depoimentos de pacientes podem ser repostados, desde que sóbrios, sem adjetivos de superioridade; e demonstrações de antes-e-depois são autorizadas, mostrando inclusive evoluções insatisfatórias — não só o melhor caso.
Dado: o artigo 9º, incisos VI e VII da resolução autoriza textualmente “a informação sobre os valores das consultas, meios e formas de pagamento” e que “o valor de procedimentos particulares poderão ser acordados entre as partes” — fonte: Publicidade Médica CFM.
O Que Continua Proibido
A liberação não é carta branca. Seguem vedados:
- Garantir, prometer ou insinuar resultado de tratamento ou procedimento;
- Sensacionalismo — divulgar resultado de forma abusiva, enganosa ou sedutora;
- Concorrência desleal — falar de outros médicos, especialidades ou técnicas em tom desrespeitoso ou ofensivo;
- Venda casada e sorteio/premiação de procedimentos;
- Dar consulta dentro de cursos ou grupos educativos abertos ao público (o curso é permitido; a consulta ali, não);
- Imagem manipulada ou paciente identificável sem o devido cuidado.
A linha que separa o permitido do proibido, na prática, é a mesma de sempre: informar é publicidade; prometer é propaganda enganosa. Mostrar sua rotina de trabalho, educar sobre uma condição, divulgar valor de consulta — tudo isso está dentro da regra. Prometer “resultado garantido” ou atacar o concorrente, não.
Direto ao ponto
O mesmo dilema já apareceu com advogados
A OAB também restringe o que um escritório pode divulgar, e a dúvida de "posso ou não posso fazer marketing" é idêntica à do médico. Escrevi sobre como isso funciona na prática em marketing digital para advogados — vale o paralelo se você quer entender o raciocínio por trás da regra, não só o artigo isolado.
Estar Autorizado Não É o Mesmo Que Ser Encontrado
Aqui está o ponto que a maioria dos conteúdos sobre a resolução não cobre: a Resolução CFM 2.336/2023 resolveu a dúvida jurídica, não a de visibilidade. Você pode ter site, Instagram e CRM/RQE visíveis em todo lugar — e ainda assim não aparecer quando alguém da sua cidade procura “ortopedista perto de mim” ou “cardiologista que atende convênio X”.
Dado: 60% dos brasileiros dizem buscar informação de saúde na internet, e 90% desse grupo aponta o Google como o principal ponto de partida — fonte: IESS/Vox Populi (janeiro de 2026).
Isso explica por que anúncio pago sozinho não resolve: ele compra o clique de hoje, mas some quando a verba acaba. Quem aparece de forma consistente nas buscas por especialidade + cidade — no mapa do Google, no site, no conteúdo que responde à dúvida do paciente antes mesmo da consulta — está competindo pela atenção dos 6 em cada 10 brasileiros que já buscam informação de saúde na internet — 9 em cada 10 deles começando pelo Google.
Esse é o trabalho de SEO local: um perfil completo no Google, um site que carrega rápido e responde às buscas reais do seu paciente, e conteúdo que trata das dúvidas que ele já está digitando. Já escrevi sobre isso aplicado a clínicas e consultórios em SEO para clínicas e consultórios, com o mesmo raciocínio que vale pra um consultório médico.
Como Fazer Isso sem Risco Ético
Um roteiro curto para colocar no ar sem dor de cabeça com o conselho:
- CRM e RQE visíveis na página principal do site e no perfil de cada rede social.
- Conteúdo educativo, não promessa — explique a condição, o exame, o tratamento; não prometa o resultado.
- Antes-e-depois sem identificação do paciente, mostrando também casos que não foram perfeitos.
- Preço, se divulgar, sem atacar o concorrente — informe o seu valor, sem desmerecer a clínica do lado.
- Perfil completo no Google (nome, especialidade, RQE, endereço, horário, fotos reais) — é onde a maior parte da busca por médico na sua região começa.
Esse último ponto é onde entra SEO Local: a estrutura que faz um consultório aparecer no mapa e na busca orgânica da própria cidade, sem depender de pagar por cada clique.
Quem Procura um Médico Como Você na Sua Cidade?
A Resolução CFM já resolveu a dúvida “posso fazer marketing”. A que sobra é “quantas pessoas estão procurando pela minha especialidade, na minha cidade, agora”. Fale comigo no WhatsApp ou peça seu Mapa de Oportunidades e veja a demanda real antes de decidir onde investir.
Perguntas frequentes
Médico pode fazer marketing digital?
Pode. Desde a Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024, a publicidade médica deixou de ser quase só proibições e passou a ser permitida com responsabilidade — incluindo site, redes sociais e conteúdo educativo.
Médico pode divulgar o preço da consulta?
Sim. O artigo 9º, incisos VI e VII, da Resolução CFM 2.336/2023 autoriza a divulgação dos valores de consulta e das condições de pagamento, e permite acordar o valor de procedimentos particulares entre as partes.
Médico pode fazer antes e depois nas redes sociais?
Pode, desde que o paciente não seja identificável, sem manipulação de imagem e mostrando evoluções satisfatórias e insatisfatórias — não só o melhor resultado possível.
Como um médico aparece no Google quando alguém busca pela especialidade na própria cidade?
É trabalho de SEO local: perfil completo no Google, site otimizado e conteúdo que responda as dúvidas reais do paciente. Me chame no WhatsApp e eu te mostro por onde começar no seu caso. Fale comigo no WhatsApp